3 de mai de 2014

MANOEL BANDEIRA – Desencanto




 – PEDRO LUSO DE CARVALHO

O livro Poesias (A cinza das horas, Carnaval, Ritmo dissoluto), de Manoel Bandeira, é editado pela Revista da Língua Portuguesa, em 1924.
No ano seguinte, Mário de Andrade convence Bandeira, por via epistolar, a colaborar com artigos para o Mês Modernista, do jornal A Noite; o poeta passa a receber do jornal 50 mil réis por semana (são os seus primeiros ganhos com a literatura).
Manoel Bandeira passa a escrever crítica musical para a revista A Ideia Ilustrada. E, nos anos de 1928-1939, escreve crônicas semanais para o Diário Nacional, de São Paulo.
Em 1930, o poeta publica o livro Libertinagem, com poemas de 1924 a 1930; o livro, que teve uma edição de 50 exemplares, foi por ele próprio custeada. Desse ano até o seguinte o poeta escreve críticas de cinema para o jornal A Noite, do Rio.
É importante dar destaque especial para a a publicação de Poesias escolhidas, pela editora Civilização Brasileira, em 1937; as poesias, que passaram a integrar esse livro, foram selecionadas pelo poeta, que também ouviu os conselhos de Mário de Andrade, para a escolha dos poemas.
Segue o poema Desencanto, de Manoel Bandeira (In Manoel Bandeira. Seleta de prosa e verso; organização, estudos e notas de Manoel de Moraes. 2ª ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975, p. 92):

DESENCANTO
MANOEL BANDEIRA

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue, Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remoto vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

*

Teresópolis, 1912 (Cinza das Horas)

* Você poderá ler a primeira parte, clicando em: Auto-Retrato


REFERÊNCIA:
BANDEIRA, Manoel. Seleta de prosa e verso; organização, estudos e notas de Manoel de Moraes. 2ª ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975.

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