25 de nov de 2011

GUIMARÃES ROSA – Parte III

Guimarães Rosa e a esposa Aracy M .de Carvalho


              por Pedro Luso de Carvalho


        Relembremos um pouco da trajetória de Guimarães Rosa. No ano de 1938, ele parte para Hamburgo. Seis anos foi o tempo que o escritor permaneceu na Alemanha, na condição de cônsul adjunto. Foi nessa sua estada na Alemanha que Rosa conheceu Aracy Moebyus de Caravalho, funcionária graduada do consulado, com quem casou, e com quem viria ter duas filhas.

        Durante a Segunda Guerra Mundial Guimarães Rosa e Aracy, protegeram e facilitaram a fuga de judeus do nazismo; essa ajuda, prestada justamente no foco da perseguição aos judeus, levou-o à prisão em Baden-Baden, onde permaneceu por quatro meses. Mais tarde Rosa viria dizer que, além dos milhares de mortos, o que lhe ficou marcado na memória foram os crimes contra a cultura da humanidade. 
Aracy, esposa de G. Rosa

        De volta ao Brasil, Guimarães Rosa é nomeado chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura, em 1945. Nesse ano, vai a Paris para participar da Conferência de Paz. Depois, em 1948, vai a Bogotá para, como secretário-geral da delegação brasileira, integrar à IX Conferência Interamericana. De 1948 a 1950 volta a Paris como primeiro secretário e conselheiro da Embaixada, respectivamente.  

        No seu retorno ao Brasil, em 1951, é nomeado chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura. Recebe mais duas importantes nomeações: em 1953, de Chefe da Divisão de Orçamento; em 1958, de embaixador. 

        O espaço de tempo que Guimarães Rosa passa longe do Brasil não o faz esquecer-se de suas raízes. Retorna a Minas Gerais em 1945 para fazer um incursão do interior do Estado com a finalidade de rever a paisagem de sua terra onde passou a infância. Em 1952, excursiona em Mato Grosso, que lhe inspira a escrever uma reportagem poética com o vaqueiro Mariano, cuja publicação foi destinada a poucas pessoas. 

        Guimarães Rosa publica, em 1956, as novelas de Corpo de baile, na qual dá continuidade à sua experiência em Sagarana. Dos contos, que compõem Sagarana, passa para a novela Corpo de baile, gênero que lhe dá maior espaço para sua narrativa, na qual exibe melhor a força e a riqueza de sua linguagem. 

        Sobre essa importante obra, Corpo de baile, assim se manifesta Patricia Vessoni Bittencourt: "Corpo de baile é considerado como moderna linha de ficção do regionalismo e posteriormente foi dividido em três livros: Manuelsão e Miguilim, com Campo geral e Uma história de amor; Noites do sertão, com o Recado do morro, Cara-de-bronze e A estória de Lélio e Lina, e No Urubuquaqua, no Pinhém, com Dão-lalalão e Buriti, sem alterar a ordem das novelas". 

Guimarães Rosa
        Ainda se referindo a Corpo de baile, diz Patricia Vessoni Bittencourt: “A obra possui passagens obscuras, assim como todos os livros do escritor, que busca rodear e devassar o mistério cósmico, a chamada realidade, que é o ser humano, o mundo e a vida”. 

        Como dissemos na primeira parte deste trabalho, a infância do escritor é transportada para sua ficção, como bem observa Renard Perez: “'Sagarana e Corpo de baile estão cheios dessas recordações. O Burrinho Pedrês, por exemplo, é personagem de infância. Campo geral, a esplêndida novela de abertura de Corpo de baile, também nos traz muito do ambiente de meninice do escritor (...)”. 

        Quando se fala das suas novelas, Corpo de baile, em Grande sertão:Veredas, único romance do escritor e sua obra-prima, em seus contos, que compõem Sagarana, entre seus outros livros de contos, vale repetir o que se encontra no verbete Guimarães Rosa, do Kogan Larousse, com a Direção de Antonio Houaiss: “Notável pelo ineditismo vocabular e fraseologia eminentemente lúdica. A um só tempo neológica e arcaizante, regional e cultista, mas sempre impregnada de forte carga estética (...)”.


        NOTA: para acessar a última parte deste trabalho, clicar em Guimarães Rosa - Parte IV (Final)




REFERÊNCIAS:
VESSONI BITTENCOURT, Patricia. Paulo Cesar Lopes. João Guimarães Rosa. São Paulo: Expressão Popular, 2008, p. 18.
HOUAISS, Antonio. Koogan Larouse. Pequeno Dicionário Enciclopédico. Rio de Janeiro: Larousse do Brasil, 1979, p. 1234.
PEREZ, Renard. Esccritores brasileiros contemporâneos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1960, p. 179-184.


           
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