23 de set de 2016

Hollywood filma obra de Jane Austen



PEDRO LUSO DE CARVALHO

Em 1996, o romance da britânica Jane Austen, Pride and prejudice (Orgulho e preconceito) foi adaptado para a televisão pela BBC, cujo resultado foi a audiência de 18 milhões de telespectadores, que esperavam ansiosos pelos seus capítulos. Com esse sucesso, a série foi vendida para 18 países. Em 1995, o romance foi adaptado para o cinema, com o título de Sense and sensibility (Razão e sensibilidade), numa co-produção EUA/ING. A direção do filme coube a Ang Lee, que teve como intérpretes: Emma Thompson, Kate Winlet Hugh Grant, Alan Rick, Gemma Jones, Greg Wise. Embora tenha recebido o Globo de Ouro, não recebeu o Oscar, em 1996. Sobrou-lhe o Oscar de melhor roteiro, que foi escrito por Emma Thompson.
A partir daí, a Internet uniu os admiradores de Jane Austen de todo o mundo, em contraste com a vida que a escritora levou, solteira, no sul da Inglaterra, sem ter saído de seu país, e com apenas quatro de seus romances publicados. Suas obras passaram a vender tanto que rivalizaram, após a produção da BBC e do filme de Lee, com best-sellers, como os de Catherine Cookson e John Le Carré, vendendo, no Reino Unido, 35 mil exemplares por semana, no final de 1995. Nessa época, a revista ‘Vanity Fair’ chamou Jane Austen de a última mina do cinema (Reader’s Digest, Seleções, jan. 1997).
Por que a história contada por Austen, em Pride and prejudice (Orgulho e preconceito), obteve tal sucesso? Por ser uma história surpreendente, singular? Ou por se tratar de uma história comum, que é por todos entendida e sentida? Acho que o sucesso se deve a esta última hipótese. Jane Austen conta, em seus livros, histórias que se restringem à vida simples das pessoas e suas famílias. A escritora disse, certo dia: “Três ou quatro famílias vivendo numa aldeia é tudo que preciso como base de trabalho”.
Para Nigel Nicolson, autor de The world of Jane Austen (O mundo de Jane Austen), a explicação para tão duradouro fascínio é simples:
Seus romances são histórias de amor que acabam sempre em casamento. Revelam um maravilhoso conhecimento das pequenas manobras que os jovens faziam, e ainda fazem, aproximando-se e distanciando-se. São também muito engraçados”.
Diz, Andro Linklater, rev. Citada:
Esse conhecimento baseava-se, em parte, na própria experiência de Jane Austin e em sua observação da numerosa e exuberante família em cujo seio foi criada. Nascida em 1775, era a sétima de oito filhos, e até os 25 anos teve como lar a altaneira residência de seu pai, em Stevenson, uma aldeia nas ondulantes colinas de Hampshire. O pastor George Austen, pai de Jane, não era homem de posses, e a falta de meios de transporte adequados limitava o número de visitas a casas de vizinhos e aos bailes em Basingstoke, a cidade mais próxima. Em compensação, a família recebia freqüentemente amigos e conhecidos”.
Linklater diz, ainda, que um dos passatempos preferidos de Jane Austen era a dança, como mais tarde afirmaria em Orgulho e Preconceito:
Gostar de dançar era uma medida infalível para uma pessoa se apaixonar”. E acrescenta que o seu comportamento levou uma das vizinhas dos Austen a considerá-la “a mais bonita, a mais burra e a mais presunçosa das moças casadoras”.
Para P. D. James (rev. cit.), fiel admiradora da obra de Jane Austen, esse aspecto de sua personalidade representa o próprio âmago de seu estilo:
Todos os livros têm como base a mesma trama – uma mulher que procura e depois encontra o parceiro ideal” esclarece a escritora. Diz, P.D. James: “São romances quase cor-de-rosa, só que escritos por um gênio”.
O certo, no entanto, é que muitos ficaram descontentes com a popularidade de Austen. Susan McCartan, secretária honorária da Sociedade Britânica Jane Austen, é uma delas. “As recentes adaptações ao cinema realçam o aspecto romanesco, descurando o lado satírico”, afirma Susan McCartan, que admite, no entanto, que o número de sócios aumentou em várias centenas, chegando a 2000, número esse baixo, se comparado com o da Sociedade Norte-Americana Jane Austen, que, em 1997, tinha mais de 5000 fãs, e continuava crescendo.
Sofrendo do Mal de addison, uma doença que ataca os rins, Jane Austen faleceu em winchester, no dia 18 de julho de 1817, com apenas 41 anos. Linklater diz que o fluxo de visitantes, de todas as partes do mundo, junto a seu túmulo, na Catedral de Winchester, confirma a crença de Jane Austen na força do amor que, despertando um sorriso, consegue vencer a triste realidade da vida. Entre esses visitantes, encontrava-se entre eles, em 1997, Emma Thompson, que foi lá “para prestar-lhe homenagem... e para lhes falar dos lucros”, como explicou, gracejando, nas cerimônia dos Oscars, em Los Angeles.



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15 de set de 2016

MOZART - Parte VII (Final)




PEDRO LUSO DE CARVALHO

Na última postagem deste trabalho (Mozart – Parte VI), dissemos que o músico deligou-se do Arcebispo Colloredo, depois que Leopold, seu pai, tentou convencê-lo, sem sucesso, a manter o seu emprego em Salzburgo. E que se mudou para Viena, onde casou com Constanze Weber. E que, depois, passou a empreender viagens em busca de novos recitais. Então, viajou para Praga, Dresden Leipzig e Berlim.
Nessa nova empreitada, Mozart teve de suportar fracassos, que foram intercalados com triunfos eventuais. Constaze, a esposa, incentivava-o para que continuasse compondo. Para o músico, no entanto, esse seria o início de uma jornada permeada de sofrimentos. Teria que enfrentar as dificuldades financeiras e as doenças que viriam agravar sua saúde, já muito debilitada. (Mozart, reconhecido como mestre da melodia, que com simplicidade e graça construiu sua música com pureza e elegância, continuou pobre toda a vida, pelo fato de não ter sido dotado de talento para os negócios.)
No ano de 1784, filiou-se na Maçonaria. No verão de 1785, escreveu Música Fúnebre dos Pedreiros Livres, para os funerais de um irmão maçom. Aliás, o tema sobre a morte não ficaria restrito a essa música; Mozart escreveria mais tarde o magnífico Requiem, que deixaria inacabado, e que seria completado por seu fiel discípulo Süssmayer, que possuia inteiro conhecimento das intenções do mestre. (Walsegg fez executar a obra em Wiener-Neustadt a 14 de dezembro de 1793, sendo reconhecida a autoria de Mozart.)
O pensamento sobre a morte, aliás, não deixou Mozart, nos seus últimos anos de vida. Pensava continuamente na morte. Embora sempre se mostrasse alegre previa talvez um fim prematuro. A carta de 4 de abril de 1787 ao pai – a última que lhe escreveu -, deixa tranparecer um Mozart obstinado pela música.
A Flauta Mágica foi estreada no teatro Schicaneder, a 30 de setembro de 1791; o próprio Mozart regeu as duas primeiras récitas. Não teve o êxito esperado pelo composistor. O motivo do frio acolhimento, talvez tivesse como causa a complexidade do texto; mas não demorou para que a ópera conquistasse o público. A Flauta Mágica constituiu-se no primeiro êxito de Mozart, com mais de cem apresentações na época.
Com o êxito indiscutível de sua ópera Rapto no serralho (1782), no entanto, parecia assegurado o triunfo de Wolfgang, que encarava agora com otimismo o futuro. Em fins do verão de 1783, o músico e a esposa passaram três meses em companhia do pai, em Salzburgo. Na primavera de 1785, Leopod visitou o casal em Viena; essa foi a última vez que se viram pai e filho (Leopold faleceu no dia 22 de maio de 1787).
Um ano antes dessa última visita de Leopold a Wolfgang, Constanza havia dado à luz a um menino, Raimund Leopold, a 17 de junho de 1784; o filho morreu a 19 de agosto seguinte; talvez esse fato fosse o prenúncio dos sofrimentos pelos quais passaria Mozart, que, nessa época, já havia conquistado o posto de um dos maiores mestres da arte lírica. (Dois dos três filhos de Mozart sobreviveram. O mais velho, Karl, tentou música por algum tempo, deixando-a para ingressar no serviço público; viveu a maior parte do tempo na Itália, morrendo em Milão. O mais novo, Franz Xavier Wolfgang, teve vida menos feliz; foi bom pianista, mas compositor medíocre.)
Enfermo, como evidentemente estava, em 1791 Constanza não teve escrúpulos em deixá-lo mais uma vez, e ir para Baden, em busca de “cura” e de prazeres. Chamaram-na em meados de novembro. Mozart encontrava-se já confinado na cama, donde nunca mais se ergueria. O seu espírito absorvia-se em A Flauta Mágica, que ansiava por ouvir mais uma vez, e no ainda inacabado Requiem.
O músico iniciou a composição da ópera Flauta Mágica, por encomenda de seu amigo Emanuel Schicaneder, cantor, ator e empresário. Essa obra prima de Mozart nasceu de um conto de fadas. O público recebeu a ópera com grande entusiasmo. Em homenagem a Mozart, Schicaneder mandou reformar e ampliar seu teatro, decorando-o com figuras dos personagens da ópera.
Com a finalidade de que Mozart pudesse manter uma existência condigna, um grupo de húngaros ofereceu-se para contribuir anualmente com uma elevada quantia em dinheiro. Tal oferta, no entanto, chegava tarde demais: acometido por uma nefrite crônica, que desde a infância o consumia, Mozart renunciava à vida, deixando de lutar contra a doença. Mesmo doente, o músico compunha obsessivamente, não vendo o que se passava ao seu redor.
Com o progressivo inchamento das pernas, Mozart viu-se obrigado a recolher à cama. Não tinha mais condições de andar. Mesmo em tais condições, não se separava da partitura de um Requiem encomendado pelo Conde Franz von Walsegg - para o músico, tal encomenda era como a encarnação da morte.
O estado de saúde de Mozart agravou-se no dia 4 de dezembro de 1791. No quarto, encontravam-se presentes Constanze, Schicaneder e seu discípulo Süssmayer; estes atenderam ao seu pedido para que cantassem trechos do Réquiem, do qual escrevera duas partes completas e esboçara as três seguintes (Süssmayer se encarregaria de concluir a obra.) Quando iniciaram a interpretação de Lacrymosa, Mozart chorou mansamente e seus dedos deixaram cair a partitura que a mantinha zelosamente. À uma hora da madrugada de 5 de dezembro de 1791, Wolfgang Amadeus Mozart estava morto. (No mês seguinte, 27 de janeiro, completaria 35 anos de idade.)
Ao amandecer, sob um céu ameaçador, o modesto caixão foi conduzido pelas ruas por dois homens, tendo a acompanhá-los o fiel discípulo Süssmayer. Na igreja de Santo Estêvão, outras pessoas juntaram-se ao cortejo. Segundo consta, entre elas achavam-se Schicaneder, Albrechtberger (que se tornaria professor de Beetthoven), o Barão Van Swieten (para quem Mozart fizera uma nova orquestração de O Messias de Haendel) e Antonio Salieri – a personalidade mais influente, na época, em Viena, de quem Mozart fôra o mais sério rival.
Mas a violenta nevasca e o impiedoso vendaval fizeram-nos desistir da longa marcha até o cemitério. Somente os dois carregadores prosseguiram, depositando o corpo na capela mortuária, de onde foi removido, à tarde, para ser enterrado em vala comum.
Somente em 1808 é que Constanza visitou o cemitério, procurando localizar a sepultura do marido, com a intenção de colocar uma cruz sobre ela; ninguém soube informar-lhe o local. (O lugar da sepultura que até hoje se desconhece.)
De Wofgang Amadeus Mozart restava somente o nome e a história de uma vida inteiramente consagrada à música. Legou-nos obras de valor inestimável, dentre elas: Rapto no Serralho (1782), Bodas de Fígaro (1786), Don Giovanni (1787), Assim Fazem Todas (1790), Flauta Mágica (1791), de admiráveis sinfonias, sonatas e concertos, obras de música religiosa e de música de câmara, e um magnífico Requiem.


REFERÊNCIAS:
NEWMAN, Ernest. História da Grande Óperas. Tradução de Antônio Ruas. 6ª ed. Porto Alegre: Editora Globo, 1957.
MASSARANI, Renzo. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.
PETIT LAROUSSE. Dictionnaire Encyclopédique. Pour Tous. 24ª tirage. Paris: Librairie Larrousse. 1966.




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8 de set de 2016

MOZART – Parte VI





PEDRO LUSO DE CARVALHO

Dissemos, na quinta postagem deste trabalho sobre a vida e a obra de Mozart, que, em 1780 Carlos Teodoro, Eleitor Palatino da Baviera, encomendou-lhe uma ópera para o canaval de Munique; e que, em razão desse fato, o Arcebispo de Salzburgo deu permissão ao músico para empreender viagem a Munique. A ópera, Idomeno, Rè di Creta, foi apresentada a 29 de janeiro de 1781. Leopold e Nannerl puderam assistir à estréia de Idomeno, graças à ausência de do Arcebispo, que viajara para Viena.
Idomeno foi recebida com entusiasmo pelos músicos e pelos conhecedores da música -, mas não pelo público -, e teve grande importância para fixar a reputação de Mozart, na Alemanha, como compositor de ópera; contudo, a popularidade por ele conquistada não foi duradoura. Mais tarde, Mozart alterou alguns trechos da ópera, visando dar-lhe mais vigor, pelo que se sabe. Em Dresde, no ano de 1854, a ópera foi encenada novamente, mas, sem sucesso. Idomeno foi, até a morte de Mozart, a sua composição predileta.
Depois dessa estréia, Wolfgang teria de retornar a Salzburgo, e deixar o agradável ambiente de Munique. Ficava indignado só em pensar no seu retorno. Pensava permanecer em Munique por mais algum tempo, mas recebeu uma convocação do Arcebispo Colloredo chamando-o a Viena. Na esperança de apresentar-se nas festas da Côrte Imperial, o músico partiu imediatamente. Mas, isso não aconteceu. O Arcebispo queria apenas mantê-lo na condição de criado.
Mozart, que se encontrava insatisfeito com essa situação, viu somar-se à insatisfação o comportamento agressivo do Arcebispo, que o detratou com insultos na presença de subalternos da Côrte. Tal fato levou Mozart, nesse ano de 1781, a cortar os laços que o prenderam por muito tempo ao seu pai e ao protetor deste, o Príncipe Arcebispo de Salzburgo. Mozart, que, como escreve Ernest Newman, “nessa época estava com 25 anos de idade, libertava-se da tutela paterna , despia a libré de músico da Corte de Salzburgo, e entrava na última década de sua vida, que para ele devia ser tão gloriosa como artista e tão cheia de desgostos e misérias como homem”.
Em Viena, Mozart passou a residir como inquilino da viúva Weber (que nenhum parentesco tinha compositor alemão Carl Maria Von Weber). Alguns meses depois, compôs a ópera O Rapto no Serralho; para essa composição, Mozart foi inspirado por um encontro que teve com Haydn, no final do ano de 1781. Anos mais tarde, 1818, Weber (Carl Maria Von Weber) apresentou O Rápido do Serralho em Dresde, sob sua própria regência. Num artigo seu, que antecedeu essa apresentação, Weber recomendou a obra a seus concidadãos.
Disse Weber, no seu artigo, que O Rápido do Serralho oferece uma quadro “que representa para todo o homem os alegres anos de sua juventude, anos cujas flores ele nunca mais colherá... Ouso afirmar – prossegue Weber – que no Serralho Mozart atingiu o cume de sua experiência artística, à qual tão-somente foi necessário acrescentar depois a experiência do mundo. A humanidade tinha o direito de esperar dele várias outras óperas semelhantes a Bodas de Fígaro e Dom Giovanni, mas nem com a melhor vontade do mundo escreveria ele jamais um outro Rápido do Serralho”.
A estréia da ópera (O Rápido do Serralho) deu-se um mês antes do casamento de Mozart com Constanze Weber, o qual foi celebrado a 4 de agosto de de 1782. Constanze era filha filha da viúva Weber (o pai de Constanze era um antigo bilheteiro do Teatro Nacional de Viena), e era irmã de Aloysia Weber, cantora famosa, de quem antes Wolfgang fora apaixonado. As irmãs eram muito diferentes, uma da outra. Aloysia tinha, além da beleza, dotes artísticos. Constanze não tinha tais dotes, mas era simples, alegre, sincera, leal e parecia corresponder ao amor que Wofgang lhe dedicava.
Depois da breve lua-de-mel do casal, Mozart arranjou vários alunos, filhos de nobres e de famílias ricas, que voltavam de férias, no outono. Com isso, ficou premido por seus compromissos. Tais compromissos, no entanto, não impediram que continuasse compondo sem cessar: obras didáticas, cinco peças sacras, a Sinfonia nº 35 em Ré Maior – I. K. 385 (“Haffner”), uma serenata instrumental, três marchas e um minueto para orquestra, três concertos, a Fantasia em Ré Maior, para Piano – I. K. 397 e várias outras peças. Até então, compusera cerca de 280 obras, abrangendo desde as missas até os pequenos minuetos.
Em 1783, um ano após o casamento, nasceu o primeiro filho de Wolfgang e Constanze. O músico fez questão de batizá-lo em Salzburgo, na Igreja de São Paulo. De passagem por Linz, no regresso a Viena, atendeu a uma sugestão do Conde Thurn e compôs a Sinfonia nº 36, em Dó Maior – I. K. 425 (“Linz”). Até novembro de 1784, compôs grande número de outras peças. Nesse ano, uma tragédia abalou profundamente o compositor: a morte de seu filho. Uma espécie de prenúncio dos anos de sofrimento que se seguiriam.
A ópera As Bodas de Fígaro, composta em 1786, ao mostrar nobres e servos lutando pelo mesmo ideal e revelar a força de nova classe, a burguesia, foi considerada subversiva pelo imperador. Mozart viu-se repudiado pela Côrte e pelo público burguês. Encontrava-se individado e atormentado pelas freqüentes doenças de sua mulher. Além de Constanze, também o compositor estava com sua saúde em declínio.
Wolfgang retomou a vida errante de músico independente. Viajou para Praga, Dresden Leipzig e Berlim. Não deixou de compor. Enormes fracassos eram intercalados com triunfos eventuais. Constanze era dedicada, e não deixava de incentivá-lo. Mozart não perdia o ânimo; escreveu quartetos e trios, compôs Uma Brincadeira Musical, para Orquestra – I. K. 522, a Pequena Serenata Noturna, para Cordas – I. K. 525, e ainda quintetos e sonatas, além da extraordinária ópera Don Giovanni. Essas composições renderam o suficiente para que o compositor se mantivesse com sua mulher.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart.



REFERÊNCIAS:
NEWMAN, Ernest. História da Grande Óperas. Tradução de Antônio Ruas. 6ª ed. Porto Alegre: Editora Globo, 1957.
ALMEIDA, Alberto Soares de. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.




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29 de ago de 2016

MOZART - Parte V


            – PEDRO LUSO DE CARVALHO

Wolfgang Mozart partiu novamente em excursão pela Europa, visando a apresentação de novos recitais. Dessa vez, quem o acompanhou foi sua mãe. Leopold e Nannerl decidiram permancer em Salzburgo, pois temiam perder seus cargos de músicos da Corte.
Nessa viagem, o músico e sua mãe visitaram Munique, Augsburgo, Paris, Estrasburgo e Mannhein. Além de seus recitais, Wolfgang tinha a esperança de encontrar um emprego fixo. Os aristocratas, no entanto, não lhe deram o apoio esperado. Consideravam-no um “criado foragido”. Ao gênio restavam as apresentações eventuais em recitais e algumas aulas que ministrava, que lhe rendiam algum recurso pecuniário.
Wolfgang sentia-se aflito com essas dificuldades materiais, mas, mesmo assim, perseverava na composição. Escreveu obras de todos os gêneros. Durante sua estada em Mannhein, em 1777, fez uma experiência com um piano fabricado por Stein. Ficou deslumbrado com as possibilidades de sustentação de som, que os pedais proporcionavam. Escreveu, então, a Sonata para Piano, em Dó Maior – I.K. 309.
Depois dessa composição para o piano, passou a abandonar gradativamente o cravo e o clavicórdio. O piano foi então eleito o seu novo instrumento. Outra mudança deu-se na vida de Mozart, de caráter afetivo: por insistência de seus pais, mesmo estando apaixonado por Aloysia Weber, uma excelente cantora, rompeu o seu relacionamento com a jovem.
A Itália, que estava nos planos de Mozart, para, na condição de empresário de Aloysia Weber torná-la uma “prima donna”, foi substituída por Paris, para onde seguiu em companhia de sua mãe, Anne Marie Pertl Mozart, que faleceu subitamente na capital francesa, a 3 de junho de 1778. Wolfgang, desesperado, escreveu para seu pai e sua irmã, que se encontravam em Salzburgo, comunicando a morte de sua dedicada mãe.
Por contraditório que possa parecer, consolou-se com a fato de, pela primeira vez, encontrar-se livre e independente. Mozart permaneceu por alguns meses em Paris, dando lições e recitais ocasionais. Ai mantinha-se com isso e com alguma renda que lhe era alcançada por seus editores. Como não via a possibilidade de ter o sucesso que almejava, deixou Paris.
De Paris, seguiu para Mannhein, onde esperava encontrar o Eleitor e sua Corte. Como estes, encontravam-se em Munique, Mozart para lá se dirige. Em Munique, encontrou-se com Aloysia Weber, que estava com grande projeção artística. Mozart foi recebido pela jovem com frieza, famosa que estava e rodeada de admiradores. Aloysia Weber então se despede do músico com a indiferênça própria de quem se encontra no auge da fama, somando-se a isso o fato ocorrido antes, quando foi por ele desprezada.
Mozart regressa deprimido e humilhado a Salzburgo. Então socilita emprego ao Arcebispo, que o concedeu saboreando o prazer de assistir à derrota daquele que “desprezara a honra de estar a seu serviço, para correr atrás de loucos sonhos de liberdade”. Na cidade, muita gente compartilhava dessa opinião. Mozart, revoltado, dizia que “preferia tocar diante de cadeiras vazias, do que para os moradores daquela terra de mendigos”.
Apesar de todo o seu mau humor, durante o ano de 1779 Wolfgang escreveu uma obra-prima: a Missa da Coroação – I.K. 317, além de quatro peças litúrgicas, duas sonatas, três sinfonias, duas marchas orquestrais e o Divertimento para Orquestra, em Ré Maior – I. K. 334 (cujo minueto tornou-se famosissimo, em arranjos para violino e piano).
Mas enquanto o Arcebispo Colloredo não lhe dava folga justificadamente, em 1780 um fato inesperado veio livrar Mozart do ambiente mortificante que tinha em Salzburgo: Carlos Teodoro, Eleitor Palatino da Baviera, encomendou-lhe uma ópera para o canaval de Munique; esse fato impressionou o Arcebispo de Salzburgo a tal ponto que lhe permitiu viajar para Munique.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart.


REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
SCHNORRENBER, Roberto. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.



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23 de ago de 2016

MOZART - Parte IV



PEDRO LUSO DE CARVALHO

No texto sobre a vida e a obra de Mozart dissemos, no final da na terceira postagem, que na rápida estada de Wolfgang e de seu pai, Leopold, em Milão, o jovem músico submeteu-se a um teste para o sinfonismo classicista, que na época florescia na Alemanha e na Áustria.
Dissemos, também, que a junta era composta por importantes músicos milaneses, entre os quais Giovanni Battista Sammartini, que foi um dos construtores da sinfonia e o principal responsável pela transposição das formas instrumentais barrôcas, herdadas da tradição italiana, representada por Corelli, Torelli e Vivaldi.
Em 1770, nos três meses que passou em Bolonha, Wolfgang aprendeu com o Padre Giambattista Martini os segredos do contraponto. Foi admitido no círculo de músicos famosos e tornou-se membro da Academia Filarmônica Bolonhesa, rompendo, como esse seu ato, o regulamento da Academia, que para isso exigia a idade mínima de 21 anos.
A prova que fez ante a junta, para conquistar esse título, deveu-se à sua criação de uma fuga a quatro vozes em apenas meia hora, além de contrapontear em quatro partes uma sinfonia de três linhas. A junta examinadora ficou atônita com a proeza do jovem músico de apenas catorze anos. Então, uma aura de mito começou a envolver Wolfgang em virtudes de suas façanhas na Itália.
Em Roma, depois de ter ouvido uma única vez o “Miserere” de Gregorio Allegri, Wolfgang de volta a estalagem em que estava hospedado transcreveu essa peça, que a guardava na memória. Depois dessa transcrição, foi novamente à Capela Sistina para conferir sua partitura com a execução original; aí, fez as correções necessárias e deixou o recinto com as folhas escondidas no chapéu.
Daí em diante o “Miserere”, que até então era monopólio do Papa, foi divulgado e caiu no domínio público. Além de ter destruído o tabu que cercava o “Miserere” de Gregorio Allegri, o Papa não só perdoou a audácia de Wolfgang Mozart, como concedeu-lhe a “Cruz do Esporim de Ouro”, pelo surpeendente feito. Em Salzburgo, o Arcebispo Scharattenbach também homenageou Wolfgang promovendo-o a Mestre de Capela.
Já homem feito e assinando suas composições com o nome de Wolfgang Amadeus Mozart, sua obra avolumava-se com concertos, sinfonias, sonatas, óperas, missas e peças sacras mais curtas, minuetos e divertimentos ('divertimenti')
Mozart havia amadurecido em Salzburgo, com decepções e amarguras. O novo Arcebispo Hyeronimus, Conde de Colloredo, humilhava-o a ponto de obrigá-lo a fazer suas refeições com a criadagem, ao lado de cozinheiros e copeiros.
A Imperatriz Maria Teresa, que dizia que “os músicos que se põem a rodar pelo mundo à maneira de pedintes não contribuem para a boa fama da profissão”, impedia seu filho Ferdinando, Duque da Lombardia, de tomar Mozart a seu serviço.
Nessa época, a intenção de Wolfgang era continuar com suas viagens pela Europa, acompanhado de seu pai e de sua irmã; mas, ante a ameaça de demissão, caso insistissem em viajar, Leopold, com 58 anos, temendo perder o seu cargo optou por permancer em Salzburgo, o mesmo ocorrendo com sua filha Nannerl.
Wolfgang então decidiu viajar com sua mãe. Juntos visitaram Munique, Augsburgo, Paris, Estrasburgo e Mannhein. Além de suas apresentação, tinha a esperança de encontrar um emprego fixo. Os aristocratas, no entanto, não lhe deram o apoio esperado, por considerá-lo um “criado foragido”. Restava ao gênio eventuais apresentações em recitais e algumas aulas que ministrava.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart.



REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
KEIEGER, eDINO. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.




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14 de ago de 2016

MOZART - Parte III


                   – PEDRO LUSO DE CARVALHO
No texto sobre a vida e a obra de Mozart, dissemos, na última postagem (segunda parte), que a família MOZART foi recepcionada em Londres pelo Rei Jorge III, e que o menino Wolfgang tocou para o monarca; e que Wolfgang e Nannerl foram recebidos pela elite londrina com grande entusiasmo nos inúmeros recitais que deram.
Dissemos, ainda, que Leopold, que se encontrava doente, deixou Londres com os filhos para repousar em Chelsea, onde Wolfgang conheceu Johann Christian Bach, filho mais novo de Johann Sebastian Bach (Christin Bach estava com 28 anos de idade).
Embora fosse grande a diferênça de idade entre eles, Wolfgang e Christin Bach tornaram-se amigos. E foi por intermédio de Christin Bach que Wolfgang teve a oportunidade de conhecer a produção contemporânea de ópera, música sinfônica e música de câmara. Também teve o ensejo de assistir às solenes apresentações das obras de Haendel.
Nas cinco sonatas e nas duas sinfonias que Wolfgang Amadeus Mozart escreveu nessa época, no início de 1764, transparece claramente a influência que sofreu de Johann Christian Bach e de Haendel.
No outono de 1764, o esquecimento viria mais uma vez - como já acontecera em Viena -, em virtude de Leopold ter se retirado de Londres para tratar de sua saúde. Embora já restabelecido, tentou inutilmente obter novos recitais para Wolfgang e Nannerl. Para a família Mozart, todo o êxito até então obtido passou a ser coisa do passado.
Leopold compreendeu então que deveria deixar Londres, o que foi facilitado em razão do aconselhamento do embaixador da Holanda, junto à Côrte de Jorge III. Já nos Países-Baixos, mais propriamente em Haia, Wolfgang compôs duas árias, um madrigal para vozes mistas, uma sonata e uma sinfonia.
Da Holanda a família Mozart empreendeu novamente as excursões, e levaram a efeito apresentações em Gand, Antuérpia, Haarlem, Amsterdam, Utrecht, Malines e Vallencienes. Depois estiveram mais uma vez na França: Paris Dijon e Lyon, Daí foram para a Suíca; suas apresentações se deram em Genebra, Lausanne, Berna, Zurique e Schaffhausen.
E, uma vez de volta a Salzburg, Leopold e os filhos, Wolfgang e Narnnerl, estiveram ainda em Biberach, Ulm, Augsburgo e Munique. O retorno à casa deu-se em 1765. A jornada de Wolfgang no exterior fez com que aumentasse muito sua produção musical.
De volta à sua casa, longe de compromissos com apresentações, encontrou tempo e sossêgo para compor mais ainda; e teve mais tempo para estudar, sob a orientação de seu pai. Em 1766, Wolfgang Mozart compôs: seis sonatas, três peças sacras, uma cena para orquestra e duas séries de variações para cravo: a primeira sobre a ária “Laatons Juichen” de Graff e a outra baseada na canção de “Guilherme de Nassau”.
No ano seguinte, setembro de 1767, Leopold e seu filhos, Wolfgang e Nannerl, retornaram a Viena. Wolfgang estava com onze anos de idade. Justamente nessa época, a capital estava tomada pela varicela. Por precaução, a família retirou-se para a propriedade do Conde Podstsky, na região de Olmutz, mas mesmo assim os irmãos foram acometidos pela doença.
Em princípio de 1978 a família Mozart regressou a Viena. O propósito de Leopold de levar a efeito novos recitais, com o esperado êxito e o consequente lucro, como já acontecera em outros importantes centros europeus, foi frustado, uma vez que não obteve o apoio dos imperadores.
Essa estada em Viena, sem o êxito esperado, deu, no entanto, grande proveito a Wolfgang pelas relações travadas com o famoso librelista Metastásio, e por ter tido a oportunidade de conhecer o Dr. Mesmer, famoso por seus conhecimentos de ocultismo e pela prática da hipnose. Wolfgang também conquistou a simpatia do Príncipe Arcebispo de Salzburgo, que foi por ele contratado para servir na Capela Arquiepiscopal.
Depois, com licença do arcebispo, Wolfgang e o pai partiram para a Itália, o país da ópera. Aí os grandes mestres cultivavam a música vocal. Wolfgang visitou várias cidade, passando quase despercebido.
Embora pouco notado, em 5 de janeiro de 1770, obteve grande êxito num recital que deu na Academia Musical de Verona. Nessa época Wolfgang estava com catorze anos de idade. A Academia prestou ao jovem Mozart uma importante homenagem elegendo-o Mestre de Capela Honorário da Instituição.
Na rápida estada de Wolfgang e de Leopold em Milão, o jovem músico submeteu-se a um teste para o sinfonismo classicista, que florescia na Alemanha e na Áustria. A junta era compostas por importantes músicos milaneses, entre os quais Giovanni Battista Sammartini, um dos construtores da sinfonia e o principal responsável pela transposição das formas instrumentais barrocas, herdadas da tradição italiana, representada por Corelli, Torelli e Vivaldi.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart.
Para acessar a primeira parte deste trabalho, clicar em MOZART – Parte I


REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
MASSARANI, Renzo. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.


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8 de ago de 2016

MOZART – Parte II




PEDRO LUSO DE CARVALHO


Na postagem de MOZART - Parte I, dissemos que Leopold Mozart aspirava para seus filhos, Wolfgang e Nannerl, uma sólida posição na música europeia, e que, para isso, teria que empreender excursões, contratar professores qualificados e buscar espaços para suas apresentações em grandes plateias; assim, uma vez atingido tal objetivo, teria também, como retorno desse trabalho, o alentado lucro pecuniário, além de prestígio social.
E, para iniciar tal empreendimento, Leopold fez a sua escolha: Munique, capital da Baviera. Aí seus dois filhos fariam, fora de Salzburgo, as primeiras exibições. A recepção pelo Eleitor Maximiliano, para um recital com grande repercussão foi a certeza de que a escolha de Leopold foi acertada.
O pai-empresário sentiu-se encorajado com o êxito. Foi estímulo suficiente para uma viagem mais ambiciosa: Viena, o núcleo de reunião de vários Estados germânicos. Não só a Capital do Império, mas o centro da vida artística internacional. Leopold não poderia esperar outra coisa de seus filhos que não a fama e a fortuna.
Em setembro de 1762, Leopold partiu com Wolfgang e Narnnerl para a metrópole. Na bagagem levaram um cravo para que o filho e a filha pudessem exercitar-se com o rigor imposto pelo pai. A conquista do mundo musical vienense era a meta para Leopold e seus filhos.
Em Linz, ocorreu um contratempo: Wolfgang foi acometido de forte gripe, que o deixou enfraquecido, mas acabou por recuperar-se. Não tardou para que viesse sofrer outras doenças de maior gravidade, que afetaram seu organismo. Cuidados foram tomados na convalescênça do menino, que se distraía compondo e escrevendo várias peças importantes, entre elas o Allegro em Si Bemol, para cravo ou Clavicórdio – I.K. 3 e Minueto em Fá Maior, para cravo ou Clavicórdio – I.K.6.
Leopoldo comprazia-se com o resultado dos recitais dados por Wolfgang e Nannerl. No mês de outubro de 1762, a refinada sociedade vienense era unânime em pródigos elogios a ambos. Tanto foi o sucesso dos recitais que logo a Côrte Imperial os convidou para que alí se apresentassem. O recital no palácio Schoenbrunn resultou em grande prestígio para Wolfgang Mozart. Mas, novamente, teve a saúde abalada. Uma escarlatina levou-o à cama. E, sem novas apresentações, Wolfgang logo foi esquecido por Viena.
A escarlatina foi debelada, embora tenha deixado sequelas, tais como: debilidade física e distúrbios renais crônicos; essa doença viria encurtar a vida do gênio. No mesmo ano de 1762, Mozart, Nannerl e o pai retornaram a Salzburgo. Aí o jovem iria repousar e tratar-se. Nessa pausa, o pai aproveitaria para refazer seus projetos musicais para os filhos.
Em junho de 1763, Leopold retornou com os filhos a Munique, que os recebeu com agrado. Tiveram mais uma recepção na Côrte, na qual o Príncipe Von Zweibrücken acolheu- os e deu-lhes proteção. Assim foi aberto o caminho para que Wolfgang e Nannerl dessem vários recitais na cidade. Depois apresentaram-se em Augsburgo, cidade natal de Leopold, mas aí, nos três recitais que deram, não tiveram o mesmo êxito.
Em agosto de de 1763, a família Mozart chegou em Frankfurt, Alemanha, onde foi bem recebida pelos círculos culturais. Nessa cidade, num dos seus cinco recitais Wolfgang e Nannerl lotaram todos com salões e foram aplaudidos efusivamente. Numa dessas apresentações encontrava-se o jovem Goethe, que mais tarde falaria da honra que teve em conhecer Wolfgang.
O êxito de Wolfgang e Nannerl iria desestabilizar emocionalmente Leopold. Exibicionista e tomado pela vaidade, Leopod almejava agradar o público, e esquecia-se de revelar o valor artístico dos filhos. Na época em que os Mozart haviam alcançado grandes êxitos nas suas excursões, o menino Wolfgang, estava oito anos de idade e Nannerl, com treze anos.
Após um recital para o Príncipe Carlos de Lorena e sua Côrte, Leopold e seus filhos deixaram Bruxelas e viajaram para a França, levando uma carta de recomendação para Melchior Grimm, secretário do Duque de Orléans. Desta forma foram introduzidos no mundo aristocrático parisiense, quando o nome de Mozart já era conhecido pelos reis de França.
Em 1764, Wolfgang e Nannerl, que já haviam visitado o palácio de Versalhes, a convite do rei de França, apresentaram-se durante uma grande recepção à mais alta aristocracia francesa, oferecida pela Côrte, pela passagem do ano. No final do ano de 1764, Wofgang Amadeus Mozart havia composto quatro sonatas para violino e cravo, ou clavicórdio. Em Paris, durante a estada da família, as primeiras obras de Wofgang começaram a ser publicadas.
Depois de terem deixado Paris, dirigiram-se a Londres, onde foram recebidos pelo Rei Jorge III, que ofereceu ao menino partituras de George Wagenseil, Johann Christin Bach, Christian Abel e Haendel, todas muito difíceis para ele, que não os conhecia. Wonfgang executou para o rei todas as peças com perfeição na sua primeira leitura. Depois improvisou no órgão que se encontrava no salão, uma bela variação sobre a ária de Haendel, que acabava de conhecer e de tocar para o monarca. Assim, após inúmeros recitais, a Côrte inglesa rendeu-se ao talento do menino Wolfgang.
Leopold, que se encontrava doente, deixou Londres com os filhos, para repousar em Chelsea, onde Wolfgang conheceu Johann Christin Bach, filho mais novo de Johann Sebastian Bach.
Na próxima postagem, continuaremos com a vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart. (Para acessar a primeira parte deste trabalho, clicar em: MOZART – ParteIII.)


REFERÊNCIAS:
ANSTETT, J. Ph. Galeria de Homens Ilustres. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905.
CAMARGO GUARNIERI. Grandes Compositores da Música Universal.Nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.
             
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2 de ago de 2016

MOZART – Parte I




PEDRO LUSO DE CARVALHO

WOLFGANG AMADEUS MOZART, nome que mais tarde o músico passaria a usar. Foi registrado com o nome de Joannes Chrysostomus Wofgangus Theophilus Mozart. Nasceu em Salzburgo, Áustria, a 27 de janeiro de 1756. Filho de Leopold Mozart, músico da Côrte, e de Ane Marie Pertl Mozart. Aos cinco anos de idade, Wolfgang Amadeus iniciava sua carreira de compositor.
Na sua infância e juventude, Leopold Mozart (o pai) morava com a família na pequena cidade de Augsburgo, Áustria. Como seus pais, modestos artesãos, não podiam pagar seus estudos artísticos, estudou por conta própria. Mais tarde foi levado para Salzburgo por seu padrinho, que era cônego, para estudar teologia. Era sua intenção torna-se sacerdote. Por dois anos, estudou na Universidade de Teologia e Lógica. Ao final desse tempo, resolveu levar adiante o seu plano para tornar-se músico, mesmo com o prejuízo sofrido com o corte da mesada, pelo seu padrinho, que ficou desgostoso com essa decisão.
Ao deixar a universidade, o jovem Leopold Mozart conseguiu emprego como secretário do Conde Thurn; com isso, passou a dedicar-se ao estudo da música com seriedade, compondo músicas sacras e uma ópera, que foi apresentada na universidade. Com a repercussão obtida com a sua ópera, Leopold foi contratado para tocar na orquestra do Príncipe Arcebispo.
Leopold também passou a dar aulas de violino para os meninos da capela. Depois, conheceu a filha do administrador do castelo de Saint Gilgen, Anne Marie Pertl, com quem se casou. Daí em diante, passou a ter uma vida estável e com conforto. Do casamento, nasceu Marianne, carinhosamente chamada de “Nannerl”. O casal e a filha formavam uma família feliz.
Foi nesse ambiente alegre e harmônico que nasceu Wolfgang Amadeus Mozart. O menino, esperto e brincalhão, era apenas Wolfgang, ou carinhosamente chamado pelos seus familiares de “Wolferl”. Aos quatro anos de idade, o menino Wolfgang descobriu o cravo. O menino acompanhava os exercícios no cravo, nas aulas ministradas a sua irmã, Nannerl; Nannerl era cinco anos mais velha que Wolfgang. Para ele, a música parecia um agradável brinquedo.
O interesse de Wolfgang pela música não passou despercebido por seu pai. Leopold, então, passou a ensinar música ao filho, que aprendia com extrema facilidade e com prazer. Escolhia, para as suas lições, músicas para o cravo. Mas, o inquieto menino não se limitava a elas, e aventurava-se a executar músicas de sua própia criação. No início, Wolfgang contentava-se com a improvisação, mas, depois, sempre que lhe ocorriam idéias melódicas, fazia anotações.
Não tardou para que Leopold, seu pai e professor, se convencesse de que o filho possuía uma rara musicalidade. O pai já estava certo de que seu filho era dotado de um talento incomum para a música. Também sabia que não podia negligenciar nos estudos musicais do filho. Então, decidiu fazer com que o talento de Wolfgang fosse desenvolvido mais intensamente, e com os métodos que se faziam necessários ao estudo da música mais refinada.
A música, em Salzburgo, era tratada com muita seriedade, mas isso não era o suficiente para que Wolfgang pudesse alcançar o desenvolvimento pretendido pelo pai; este, viu que o melhor caminho para atingir o objetivo que almejava eram as viagens, os professores melhor qualificados e as platéias mais refinadas. Para isso, Leopold entendeu que deveria apressar-se em deixar Salzburgo, com Wolfgang e Nannerl, já que almejava um aprimoramento musical para ambos os filhos.
Leopold não apenas aspirava uma sólida posição na música européia para Wolfgang, mas, também, tinha consciência de que esse desenvolvimento ajudaria a ganhar mais dinheiro e prestígio social, além de outras vantagens. E para colocar seu plano em execução, Leopold abandonou vários de seus afazeres, para fazer com que Wolfgang passasse a estudar sob um rigoroso e sistemático regime.
Também estava nos planos de Leopold, buscar aperfeiçoamento musical para sua filha, Nannerl Mozart, cinco anos mais velha que Wolfgang. Nannerl já era, nessa época, uma instrumentista exímia. O cravo era o instrumento que dominava. Sendo assim, escursões, professores qualificados e grandes plateias abririam caminho para os irmãos Mozart. E satisfazia a ambição de Leopold.
Para acessar a segunda parte deste trabalho, clicar em MOZART – Parte II




REFERÊNCIAS:
CAMARGO GUARNIERI. Grandes Compositores da Música Universal, nº 20. São Paulo: Abril Cultural, s/d.
AUGÉ, Claude. Petit Larousse. Dictionnarire Encyclopédique Pour Tous. 24ª tirage. Paris, 1966.





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