9 de set de 2015

LAERTE TAVARES – Ilha de Idílios



  
RESENHA – ILHA DE IDÍLIOS



A obra tem por escopo o resgate do estilo literário referente as décimas do cancioneiro ibero-português do Século XVI, muito usado por Camões e outros grandes poetas da época.

No estilo de versos em décimas é narrada a história da Fundação da Ilha de Santa Catarina, a descrição da pesca de tainha na ilha, antigamente, com base nos escritos de Virgílio Várzea.

Também é feita uma descrição da vida e filosofia do pescador artesanal – seus conhecimentos empíricos e ancestrais, crenças e desejos, alimentação e sobrevivência, perigos e a saga em tempestades tiranas.

No mesmo estilo literário, é descrito como era a Lagoa da Conceição na década de cinquenta do século passado, à noite iluminada por candeeiros a formar um rosário de luzes em sua orla, e a beleza da pesca de camarão nesse meio.

Há uma narrativa lírica dos antigos bares, clubes, praças, ruas, pontos marcantes e grandes sociedades carnavalescas de Florianópolis. Outra referência é feita ao carnaval de rua antigo com seus blocos e figuras importantes que faziam essa festa na Ilha.

Relata ainda, tipos humanos do povo, no cotidiano, que marcaram épocas, figuras folclóricas, muitas das quais, vivas ainda – Alcides Ferreira, Celso Pamplona, Venenosa, Globo, Bataclan, Lourdes, Tide, Tita, Lagarticha, seu Lidinho, Tenente, Paru, Biceta, Átila Ramos e outras.

Do meio para o final, o livro traz alguns poemas enaltecendo a beleza da Ilha; outros místicos, românticos, trágicos e cômicos, e alguns sonetos de amor. Fecha com um poema de amor proibido, finalizado em plena madrugada, aos prantos, quando o varão despede-se do esquife da amada no cemitério de Itacorubi.



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